Artigo da Semana 06
Predicting Fluid Responsiveness in Critically Ill Patients by Using Combined End-Expiratory and End-Inspiratory Occlusions With Echocardiography
Mathieu Jozwiak et al.
Link do artigo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28857907/
Pergunta principal do estudo
A soma das alterações no VTI (velocity-time integral) durante as manobras de pausa inspiratória e expiratória é uma ferramenta acurada e mais compatível com a precisão da ecocardiografia para prever responsividade volêmica em pacientes críticos ventilados mecanicamente?
Pacientes estudados
30 pacientes adultos, ventilados mecanicamente e com indicação de administração de fluidos, internados em UTI médica universitária.
Desenho do estudo
Estudo prospectivo de acurácia diagnóstica. Os autores compararam as alterações no VTI do trato de saída do ventrículo esquerdo induzidas por pausas respiratórias (inspiratória e expiratória), com a resposta hemodinâmica à infusão de 500 mL de soro fisiológico.
Critérios de inclusão
- Pacientes adultos (>18 anos)
- Ventilação mecânica em modo assistido-controlado
- Planejamento clínico de expansão volêmica
- Monitorização invasiva com termodiluição transpulmonar (PiCCO2)
Critérios de exclusão
- Atividade respiratória espontânea intensa
- Arritmias graves
- Ecocardiografia transtorácica de baixa qualidade
- Incapacidade de manter pausas respiratórias de 15 segundos
Intervenção x Controle
Sem intervenção terapêutica. As comparações foram entre:
- Mudança de VTI durante pausa expiratória (EEO)
- Mudança de VTI durante pausa inspiratória (EIO)
- Soma das duas variações (EEO + EIO)
- Todos comparados à resposta ao fluido (aumento ≥15% no índice cardíaco)
Desfechos estudados
- Acurácia diagnóstica das manobras para prever responsividade volêmica
- Sensibilidade, especificidade e área sob a curva ROC para VTI e índice cardíaco
- Variabilidade intraobservador da medida de VTI
Resultados
- 15 pacientes (50%) foram respondedores (aumento ≥15% no índice cardíaco)
- EEO isolado (VTI ≥5%): sensibilidade 93%, especificidade 100%, AUC 0.938
- EIO isolado (queda de VTI ≥8%): sensibilidade 80%, especificidade 87%, AUC 0.904
- Soma absoluta EEO + EIO (VTI ≥13%): sensibilidade 93%, especificidade 93%, AUC 0.973
- Variabilidade intraobservador para VTI: 6% ± 5%
- Forte correlação entre mudanças no VTI e no índice cardíaco (r = 0.90)
- A adição das duas manobras aumentou o limiar diagnóstico e melhorou compatibilidade com a precisão ecocardiográfica
Pontos fortes
- Técnica totalmente não invasiva com alta acurácia
- Primeiro estudo a combinar EEO + EIO para prever responsividade com TTE
- Boa reprodutibilidade das medidas de VTI
- Protocolo simples e aplicável à beira-leito em pacientes sem monitorização contínua de débito cardíaco
Pontos fracos
- Estudo unicêntrico com número limitado de pacientes
- Alta taxa de exclusão por má janela ecocardiográfica (41%)
- Medições feitas por um único operador experiente
- Potencial influência da mecânica respiratória nas respostas à pausa inspiratória
Conclusão
A soma das alterações no VTI durante as pausas expiratória e inspiratória permite prever responsividade volêmica com alta acurácia e um limiar mais compatível com a precisão da ecocardiografia do que o uso isolado da pausa expiratória. A abordagem é promissora especialmente em cenários onde a monitorização invasiva do débito cardíaco não está disponível. Estudos adicionais são necessários para validar essa técnica em populações maiores e com diferentes operadores.
1 comentário em “Artigo da Semana 06”
Excelente