Artigo da Semana 04

Cost-effectiveness-analysis of ultrasound guidance for central venous catheterization compared with landmark method: a decision-analytic model

Yana Seleznova et al

Link do artigo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30967124/

Pergunta principal do estudo

O uso da punção guiada por ultrassom (US) para a inserção de cateter venoso central (CVC) em UTI é mais custo-efetivo do que a técnica tradicional baseada em marcos anatômicos?

Pacientes estudados

Coorte hipotética de 1.000 pacientes adultos internados em UTI e submetidos à inserção de CVC por punção da veia jugular interna, baseada em dados da literatura e custos do sistema de saúde brasileiro (SUS).

Desenho do estudo

Análise de custo-efetividade utilizando modelo de árvore de decisão com base em dados secundários da literatura médica e fontes nacionais de custos. O horizonte temporal foi o da internação hospitalar.

Critérios de inclusão

Por se tratar de um modelo teórico, foram considerados pacientes adultos internados em UTI com necessidade de inserção de CVC por via jugular

Critérios de exclusão

Não aplicável diretamente ao modelo. No entanto, complicações como punções mal-sucedidas ou necessidade de múltiplas tentativas foram incorporadas na análise de custos e desfechos.

Intervenção x Controle

  • Intervenção: Inserção de CVC guiada por ultrassom
  • Controle: Inserção de CVC por técnica de marcos anatômicos

Desfechos estudados

  • Desfecho principal: Custo por sucesso da punção sem complicações

  • Outros desfechos: Taxa de complicações, necessidade de múltiplas tentativas, tempo de procedimento, custos diretos hospitalares

Resultados

  • A técnica guiada por US teve maior taxa de sucesso primário (98,6% vs. 87,5%) e menor taxa de complicações (1,1% vs. 11,9%).
  • O custo por procedimento bem-sucedido foi R$ 378,05 para US e R$ 429,96 para marcos anatômicos.  
  • A análise de sensibilidade mostrou que, mesmo com variação de parâmetros, o US continuava sendo mais custo-efetivo.
  • O modelo estimou uma economia de R$ 51,91 por paciente a favor do ultrassom.

Pontos fortes

  • Abordagem prática, com base em dados reais do SUS e literatura nacional.

  • Alta aplicabilidade em cenários de UTI no Brasil.

  • Utilização de modelo robusto com análise de sensibilidade.

Pontos fracos

  • Estudo baseado em modelo teórico, sem dados clínicos primários.

  • Desfechos indiretos e dependência da qualidade dos dados secundários.

  • Não considera custo de capacitação dos profissionais nem aquisição de equipamentos em longo prazo.

Conclusão

A punção de CVC guiada por ultrassom é mais custo-efetiva do que a técnica por marcos anatômicos no contexto da UTI, mesmo no sistema público brasileiro. Além de reduzir complicações, proporciona economia direta ao sistema de saúde. A incorporação dessa prática deveria ser estimulada como padrão de cuidado.

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